28 MAI | sáb | 21h

Gisela João

Cineteatro Municipal

Gisela João

Música

Biografia

Gisela João edita na primavera de 2021 “AuRora”, o seu terceiro álbum, gravado entre Lisboa e Barcelona, com produção de Michael League e co produção de Nic Hard e da própria artista. Este é o seu registo mais pessoal e intimista, onde pela primeira vez revela os seus dotes de letrista e compositora, e canta não apenas como esperamos que cante mas para lá de tudo o que lhe ouvimos cantar até hoje.

“AuRora” é o primeiro disco de Gisela João que apresenta essencialmente canções originais e em que partilha a autoria das letras com outros artistas, tão diversos quanto Alberto Janes, Capicua, Hernâni Correia, João Monge, Jorge Cruz, José Fialho Gouveia, Marco Pombinho e Maro. Gisela João estreia-se também na composição, ao lado de António Zambujo, Arlindo de Carvalho, Carlos Paredes, Justin Stanton, Magda Giannikou e Michael League, repetindo-se ainda os nomes de Jorge Cruz, Marco Pombinho e Maro.

Na produção do muito aguardado sucessor de Nua (2016), Gisela João colabora com Michael League, multi-instrumentista, compositor e produtor que se notabilizou como baixista e frontman dos Snarky Puppy, banda norte-americana de jazz, funk e rock instrumental, vencedora de 3 Grammy Awards. Michael League partilha a sua experiência com Gisela João: " Para mim,“AuRora” é uma obra poderosa. Ser considerada uma das mais genuínas cantoras de Fado e escolher gravar um álbum como este - que leva o género aos seus limites - requer coragem e determinação. Depois de conhecer a Gisela João, ao longo dos últimos três anos, posso afirmar que tem estes dois atributos em abundância. É do senso comum que a Gisela é Fado ("Fado é um sentimento, não um estilo" - disse-me quando começámos a trabalhar neste álbum) mas talvez muitos não saibam que é, também, muitas outras coisas: é uma pessoa destemida, que corre riscos, cuja intuição musical/emocional faz inveja a qualquer músico; é capaz de sentir, sem sombra de dúvida, quando algo está certo ou errado. O seu instinto guiou-nos do início ao fim do processo de gravação.

Agora, Gisela João é também compositora. “Canção do Coração” será lembrada como a primeira música que escreveu (em parceria com o pianista Justin Stanton). Começar a carreira de compositora com um trabalho como este, tão rico e bonito, é praticamente inédito e só podemos imaginar o que ainda está por vir. Aprendi ainda mais uma coisa sobre a Gisela durante o processo de gravação - não faz nada sem dar menos de 100%. Não existe um "modo de ensaio", pedir-lhe que cantasse a meia-força, durante os ensaios, foi um exercício inútil porque a Gisela dá sempre tudo o que tem. Dizer que fui inspirado seria um eufemismo. Considero-me afortunado por ter feito parte de “AuRora”. Acho que o álbum capta a identidade da Gisela e aquilo que ama. Para mim, fazer álbuns, é isto.

Com uma voz e um timbre absolutamente singulares, Gisela João é uma figura central e uma das mais importantes intérpretes da história da música portuguesa, tendo sido distinguida com inúmeros prémios, entre os quais, Blitz, Time Out, Expresso e o Globo de Ouro para Melhor Intérprete Nacional. Presença constante em palcos nacionais e internacionais, com actuações electrizantes e inolvidáveis, Gisela João cedo se consagrou no Fado contemporâneo seguindo a matriz tradicional, sem desvios, nem artifícios, mergulhando na sua génese, na sua autenticidade, sem excessos ou maneirismos, para que no fim se mantenha genuíno.

Miguel Esteves Cardoso disse: “Amália Rodrigues foi a grande fadista do século XX. (…) Sei e sinto, com a mesma força, que Gisela João é a grande fadista do século XXI.” E quem somos nós para o negar?

 

AuRora por Gonçalo M. Tavares

Gisela João coloca na tristeza uma pressão que vem do tom com que recebe cada letra.

O fado aqui acelera, ganha velocidade como se a tristeza tivesse pressa.

Não é um sítio para ficar - a tristeza é, umas vezes, o corredor de uma casa por onde se passa rapidamente para outro lado; não é para sentar, mas para circular. Um ponto de passagem.

Outras vezes não. Em certas músicas, é mesmo para escavar esse instável sítio até ao fundo.

Há abandono, melancolia e perda amorosa, desistências e mudanças decisivas:

"Já não choro por ti/já não vou de rua em rua/ no encalço de quem/ saiba dar notícia tua" mas também a vibração feminina que dá uma resistência diferente às letras do fado.

As “tábuas do palco”, de Gisela João – tema que percorre todo o disco - por vezes salvam um corpo inteiro, outras vezes sacrificam-no: "arranho o joelho e sangro", "eu calço o soalho e canto".

Mas as tábuas do palco são sempre essenciais. Do chão, quem canta espera sempre muito – espera tudo ou quase tudo.

 

AuRora pelo seu produtor, Michael League

“Fado é sentimento”. Esta foi a primeira coisa que a Gisela me disse quando lhe perguntei por que razão queria um produtor americano a trabalhar um álbum de um género tido como conservador e por vezes purista, até. Desde que ouvi Fado pela primeira vez em Lisboa há cerca de uma década, que me tornei um grande fã do género, mas adorar Fado e produzir um disco de Fado são coisas totalmente diferentes.

Senti o medo natural do estrangeiro prestes a profanar uma tradição linda e antiga que, ainda por cima, amo profundamente. Os arranjos e as sessões de gravação foram um processo desafiante.

Mas à medida que fui conhecendo melhor a Gisela e a sua vida, as suas ambições e o seu gosto, apercebi-me que o sentimento por detrás do Fado - fora da estética, regras ou normas - é e sempre foi a única coisa que procura enquanto artista. Perceber este aspecto permitiu-me a mim e ao engenheiro de som Nic Hard agarrar nesse sentimento e dar-lhe expressão de múltiplas formas, acrescentando sons e texturas que normalmente não encontram espaço no Fado, mas dizem muito à personalidade musical única da Gisela João.

Em conjunto com os seus maravilhosos músicos pudemos correr riscos e encarar o álbum com um espírito exploratório, usando apenas a resposta emocional como compasso. No fim de contas, sei que pelo menos criámos algo que a Gisela adora. Espero que o público possa sentir o mesmo.

Para mim, “AuRora” é uma obra poderosa. Ser considerada uma das mais genuínas cantoras de Fado e escolher gravar um álbum como este - que leva o género aos seus limites - requer coragem e determinação. Depois de conhecer a Gisela João, ao longo dos últimos três anos, posso afirmar que tem estes dois atributos em abundância. É do senso comum que a Gisela é Fado ("Fado é um sentimento, não um estilo" - disse-me quando começámos a trabalhar neste álbum) mas talvez muitos não saibam que é, também, muitas outras coisas: é uma pessoa destemida, que corre riscos, cuja intuição musical/emocional faz inveja a qualquer músico; é capaz de sentir, sem sombra de dúvida, quando algo está certo ou errado. O seu instinto guiou-nos do início ao fim do processo de gravação.

Agora, Gisela João é também compositora. “Canção do Coração” será lembrada como a primeira música que escreveu (em parceria com o pianista Justin Stanton). Começar a carreira de compositora com um trabalho como este, tão rico e bonito, é praticamente inédito e só podemos imaginar o que ainda está por vir. Aprendi ainda mais uma coisa sobre a Gisela durante o processo de gravação - não faz nada sem dar menos de 100%. Não existe um "modo de ensaio", pedir-lhe que cantasse a meia-força, durante os ensaios, foi um exercício inútil porque a Gisela dá sempre tudo o que tem.

Dizer que fui inspirado seria um eufemismo. Considero-me afortunado por ter feito parte de “AuRora”. Acho que o álbum capta a identidade da Gisela e aquilo que ama. Para mim, fazer álbuns, é isto.

 

Bilhete: 15€


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