22 MAI | dom | 16h

Como assim?

Cineteatro Municipal

Como assim?

Teatro

DOMINGOS EM FAMÍLIA

Rebento - Companhia Cepa Torta 

Foi de repente. Estava sentado na minha cadeira, a olhar pela janela quando, de súbito, um grande FURACÃO. Não tive tempo de dizer nada e, quando me levantei, disseram-me que já podia estar com todos, mesmo a sério. Estar mesmo estar. Mesmo a sério. Que não me preocupasse, que agora voltaria tudo ao normal… Mas qual normal? Como assim?

Lá fora, o que há? Dei passos curtos, hesitantes e pisei a rua. A luz feria-me os olhos, e estranhos sons dançavam nos meus ouvidos, vindos de toda a parte. Imagens difusas, sombra, luz, cores. E de súbito alguém. Alguém sim, uma pessoa, um corpo, um cheiro, um olhar, um sorriso. E o meu sorriso de encontro àquele, uma mão a tocar na outra, os nossos sopros na cara do outro, o som das nossas palavras e do nosso riso… Espera lá, eu já não me lembro de nada disto.  

O espetáculo parte da ideia de perda do essencial na construção da nossa identidade: o afecto e a proximidade do outro. Em cena, as personagens farão uma viagem mais interior que exterior, terão a sensação de ser duplas, triplas, de ser muitas ao mesmo tempo, num esforço permanente de perceber como se relaciona com os outros, de pertencer, de fazer parte. Esta proposta, que surge no rescaldo de uma pandemia que nos afastou do contacto com os outros, é uma reflexão artística sobre como o crescimento e procura da identidade é profundamente marcado pela forma de TOCAR O OUTRO E DO OUTRO NOS TOCAR A NÓS.

Outras informações/Descrição:

Trata-se de um espetáculo de teatro baseado num imaginário distópico, com uma componente física muito presente, assente na linguagem do gesto, do movimento e dos objetos. Criado a partir de obras de literatura infanto-juvenil de referência e de testemunhos reais de crianças e jovens sobre as mudanças que estas presenças e ausências tiveram nas suas vidas, na escola, na família, nas suas emoções, no seu corpo. E de uma pergunta absurda: e se tivesse passado tanto tanto tempo, que já não nos lembrávamos mesmo de como era antes?

Obras de Referência: “A Alma Perdida”, de Olga Tokarczuk; “Gosto, Logo Existo”, de Isabel Meira; “Jorge e a sua sombra”, de Davide Cali; “Vazio”, de Catarina Sobral; “A Menina com os Olhos Ocupados", de André Carrilho.

Bilhete: Crianças até aos 12 anos: 1,5€ | Acompanhantes: 2,5€


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